Viajar na viagem

Relatos de uma expat.

CHI SONO

Utente: Fernandabrjp
Nome: Fernanda
Pertenço à malta dos curiosos e abelhudos. Gosto de falar de quase tudo, mesmo que seja quase nada...mas gosto mais de escrever do que de falar. Apesar do meu instrumento de trabalho ser a palavra falada, gosto também de escutar. Aliás, dizem por aí que sou uma ótima ouvinte. Então, estou aqui para ouvi-los escrever. Tomem cuidado: sou perita em ouvir o silêncio.

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lunedì, 15 giugno 2009

                                          A pesquisa, o templo e a polêmica


Escrever requer paixão. E ultimamente ando tão desapaixonada da escrita que até nem me reconheço mais. Acho que é um pouco de sentimento de culpa por estar empacada na escrita da tese, e não conseguir me aventurar pelo teclado a não ser que seja para esse objetivo.

O meu último ano no Japão está sendo uma série de despedidas e correria para visitar lugares que não fui e que tenho vontade de ir. Por exemplo, já planejei minha ida ao famosíssimo festival de Gion, em Kyoto. Todo ano eu dizia a mim mesma...o ano que vem eu vou... mas agora essa frase soa quase como brincadeira. Como se o dia-de-são-nunca realmente tivesse chegado. Deixar para o ano que vem é praticamente condenar a visita para o “nunca mais”. Nessa de “agora ou nunca”, comprei o ingresso. Vou.

Semana passada estive em Tóquio. Fazia uns bons 6 meses que não ia para lá. A capital japonesa é realmente fascinante. E só me lembro disso quando vou para lá. É um frenesi, um corre-corre, uma confusão de gente e milhões de linhas de metrô que se misturam. É uma confusão só, o povo que sobe a escada rolante do lado direito (em Osaka é para ficar do lado esquerdo). Osaka e Tóquio são bem parecidas, mas são também diferentes. Perto de Tóquio, Osaka fica tão interiorana (que os Osaka-jins não me ouçam dizer tal heresia que faria alimentar ainda mais a rivalidade entre as duas cidades). Encontrei alguns amigos que não via há seculos, visitei lugares interessantes e fiz uma visita na importante biblioteca do congresso.

A biblioteca é imensa, fica no quarteirão mais policiado de Tóquio, pertinho da casa (uma mansão)  do primeiro-ministro Taro Aso, e logo que saí da estação já vi uma cena rara: uma manifestação praticamente em frente ao escritório de Aso, dos hibakushas – os sobreviventes da bomba atômica, que pedem melhores condições de tratamento médico. Manifestação organizada, sem atrapalhar trânsito. Coisa singela. Coisa japonesa.

A biblioteca, além da dimensão assustadora, é de uma eficiência de dar gosto de pesquisar. Você entra, coloca seus pertences num armário, fecha, pega uma sacolinha plástica transparente para você por lápis, caderno, celular, água, e entra com um cartão que você prepara num computador com os seus dados. Entrando, vai para um terminal solicitar o livro. Dá para de antemão pesquisar os livros pela internet em inglês, então eu já sabia o que eu queria. Mas a solicitação que é feita na biblioteca (somente pelo computador) é toda feita em japonês. Funcionários falantes de inglês têm aos montes para te ajudar a entender como fazer a solicitação. Livro solicitado, você vai para uma imensa sala de espera com um painel gigante que avisa quando o seu livro está disponível. Demora entre 20 minutos a meia hora para o material chegar. O número do meu cartão brilhando no painel avisava que a minha solicitação já estava disponível. Eu pedi pra ver uma revista intitulada “Imperador” que continha fotos que mostravam o lado “humano e comum” do Hirohito. Material de 1946, microfilmado. Leitores de microfilme modernos me esperavam e lá fui eu. Mas o material que tinha me levado a Tóquio ficava em um outro andar: uma sala apenas para pesquisa de materiais sobre a história do Japão moderno. O fundo que me interessava era o do período da ocupação americana, que tinha muita coisa em inglês, circulares secretas, decretos, etc. Queria esmiuçar alguns pontos. Depois de selecionado o material que queria tirar cópia, assinei um termo onde diz que vou utilizar o material somente para escrever a tese. O material solicitado seria enviado pelo correio e o pagamento seria feito somente quando eu tivesse o material em mãos. Chegou nessa quarta o envelope com as cópias e a notinha para eu fazer a transferência bancária. Eficiente. Já me deu saudades de pesquisar num lugar assim. 

Ainda em Tóquio, tinha planejado visitar um lugar polêmico. Aqui no Japão, visitar esse lugar pode ter muitas conotações. Se um japonês falar que visitou tal templo, com certeza vai ser tachado de cara de “direita”. A minha amiga japonesa que me acompanhou, no dia anterior enquanto conversávamos com um amigo japonês dela, disse baixinho que ia no tal templo e o amigo arregalou os olhos e emitiu o famoso "êeeee", interjeição de espanto dos japoneses...

Yasukuni é o templo para os mortos de guerra. E todo ano, quando algum político vai para lá (lembro muito de ser mostrado na TV o alvoroço quando Koizumi ia visitá-lo), protestos da China , da Coréia e de Taiwan mostram a insatisfação e consideram uma afronta tal ato.

O culto aos mortos e ancestrais é muito respeitado no Japão. Para os japoneses, os mortos são “sagrados” e devem ser cultuados, segundo as tradições budistas. Por exemplo, o festival “Obon” na segunda semana de agosto, é um dos mais importantes, quando todos os japoneses costumam voltar para a sua terra natal para ficar com a família. Nessa semana, os japoneses acreditam que os seus ancestrais retornam para casa para ficar com a família.

No templo Yasukuni, são cultuados os espíritos de quase 2 milhões e 500 mil soldados que têm seus nomes grafados no templo (o respeito e a importância é tamanha que os nomes dos soldados foram escritos no que eles chamam de “Livro das almas” pelos filhos do imperador ou pelo próprio, ou seja, doaram a sua “sagrada” caligrafia para o registro).

 Mas a polêmica está no fato de o templo também servir de abrigo para o espírito de 14 criminosos de guerra da Segunda Guerra Mundial. A sociedade japonesa se divide entre aqueles que acham que os espíritos de tais criminosos devem continuar a ser cultuados em tal templo (são considerados “mártires” julgados injustamente pelas forças Aliadas) e outra parte da população que acha que deve separar o joio do trigo, não se deve misturar alhos e bugalhos, ou seja, para esses criminosos, outro templo, por favor.

O templo acabou virando o símbolo do nacionalismo japonês. Na entrada vi vários elementos disso: um senhor tocando “shaminsen” vestia uma camiseta com a antiga bandeira japonesa, que dizia que o Japão devia voltar ao que era antes; e os temidos carros pretos. Aqui, a direita japonesa pode ser vista pregando em vans normalmente pretas, com a bandeira japonesa pintada nas portas e com autofalantes entoando canções militares ou o hino nacional japonês. São conhecidos como “Uyoku”, e foram muito solidários aos americanos no sentimento anticomunista durante a guerra fria. O caráter dos seus participantes é esse: ultranacionalismo e ferrenho anticomunismo. Na porta do Yasukuni é comum ver seus carros estacionados, pois para eles os criminosos de guerra que lá estão são grandes mártires. Ver um carro desses na rua me dá um frio na espinha....

Na entrada do templo, logo um aviso aos jornalistas: nada de filmar ou entrevistar as pessoas que estão ali rezando. Respeite a privacidade.

O templo também tem um museu. Encaixou certinho na minha pesquisa. O museu é a exata glorificação da guerra. A guerra como uma obrigação divina. Demoramos cerca de 3 horas dentro do museu, que relatava detalhes de todas as guerras em que o Japão participou, além de tesouros da família imperial. Uma das salas que causa comoção nos japoneses é a sala das noivas, e que é propositalmente, na minha opinião, colocada no final. A sala é repleta de bonecas noivas que foram doadas por mães de soldados mortos que não tiveram a oportunidade do casamento. As noivas ali representadas pelas bonecas serviriam como uma espécie de conforto à alma dos jovens soldados.

Terminar uma exposição com uma sala que faz você se sentir próximo do soldado e compartilhar com ele da sua história, seja pela carta da mãe ou pela carta do próprio soldado que já antevia seu destino e escreveu aos pais, esposas e filhos, nos faz sempre pensar que tudo, tudo tem um propósito. Nada é gratuito. O museu mostra a versão japonesa dos fatos. E pra quem está interessado em ver as várias versões da história, visitar um museu assim é um prato cheio. 

 

PS: para quem tem curiosidade, essa página mostra depoimentos de soldados japoneses – ex pilotos kamikazes, que dão sua visão particular da guerra. O detalhe interessante: a entrevistadora é húngara, que é curiosa em saber porque os jovens japoneses atuais não sentem “orgulho” do Japão. Vale a pena ver. Em inglês.

http://www.morinoske.com/

 


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categorie: , essa vida louca no japao
venerdì, 22 maggio 2009

E a tal da gripe chegou por aqui.

 

Rápidas notícias sobre o andar da carruagem

(Fonte: Japan Times)

 

Aqui as pessoas comentam...como pode se espalhar tão rápido um vírus num país tão asséptico?

Segundo a minha professora de japonês, parte da culpa é  dos jovens colegiais que não tem muita dimensão das coisas. Contou-me que, por conta dos cancelamentos das aulas, os karaokês ficaram abarrotados de estudantes.  Quer lugar mais propício para um vírus se espalhar do que num "karaokê box". E nos trens, nada de usarem máscaras.

Aqui agora, pessoas fogem de velhinhas suspeitas que tossem nas ruas, ou de alguém que acabou de espirrar do seu lado. É um treinamento e tanto para natação, já que ganha aquele que conseguir segurar a respiração por tempo maior.

Uma amiga estava me contando que nesse domingo tem um concerto em Kobe (o “epicentro” da gripe) e está pensando em não ir, mas está com dó de jogar o preço do ingresso pela janela. Mas a idéia de uma sala de concerto com todos mascarados, inclusive os músicos, é um tema e tanto para boas fotos. Coisas estranhas na ilha.

E por falar em bizarrices, ouvi dizer que os estudantes que foram para Nova York e que trouxeram na bagagem além dos tradicionais “omiages”( souvenirs)  o tal do temeroso  vírus, começaram a receber e-mails agressivos, bem como o professor que os acompanhou. Espantoso!

Hoje abri o “Japan Times”, um dos jornais em língua inglesa, que circula por aqui, e vi uma reportagem também não menos bizarra: o diretor da escola dos tais alunos que foram para os EUA, pedindo desculpas por ter permitido o embarque dos 6 estudantes que retornaram ao Japão infectados.

Agora, o que andei procurando pra comprar e não tinha jeito de achar? As máscaras. Esgotadas. Fui com meus amigos ao Carrefour que logo na entrada pedia para as pessoas usarem máscaras dentro do estabelecimento. Foi lá o único lugar que achei as tais. Logo vi de longe um aglomerado de pessoas num stand. Com certeza eram as tais máscaras, que saem por cerca de 15 reais um kit com 11 e por 10 reais um com 3 - esse mais caro porque vem com um refil de eucalipto. Imaginem só se as máscaras não desapareceram num piscar de olhos. Agora, a eficácia da máscara ainda é bastante discutível.

E por falar em modos de prevenção, minha amiga coreana dá uma receita infalível, testada em ratos (?!) na Coréia: coma kimuchi (uma espécie de conserva de acelga, pimenta e alho, muuuuito alho). A minha vizinha sueca disse: para prevenir de pegar a tal gripe, lave as mãos, faça gargarejo e não toque nos cabelos? Hã? Isso mesmo, segundo ela, o vírus pode "grudar" nos cabelos.


PS: Por causa da gripe, um estado de horror se instalou entre todos. Essa semana as aulas foram canceladas e na semana que vem, com certeza vamos ter uma sala de aula 100% mascarada.

 

PS2: No começo da semana, a gripe estava apenas em Kobe e Osaka. Agora, já se espalhou por mais seis prefeituras. Número de hoje: 292 pessoas infectadas.  

PS3: ando meio relapsa com o blog, né? Perdão queridos leitores. Volto assim que terminar uma leitura importante.

 

Abraços – sem vírus.


 


postato da: Fernandabrjp alle ore 12:07 | link | commenti (3)
categorie: essa vida louca no japao
sabato, 28 marzo 2009

 Aloha 2

Honolulu

Pegando uma onda...

Sand Beach

Pedra da Baleia, Sand Beach

Manoa Valley. Lost locations

Entardecer em Ala Moana

 Hora de ir embora, pegar o rumo de casa...


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categorie: viajando pelo havaí

Aloha


Daqui a alguns dias começa o novo ano fiscal japonês. Dia 1o de abril. Mais um ano escolar que se inicia. O meu último aqui. É o 7o ano do ciclo se iniciando, preparando para o desfecho.

O Japão me trouxe coisas boas, mas também tirou muitas. A distância dos queridos, estar num país estrangeiro onde você se sente estrangeiro a todo instante foi uma das coisas mais difíceis de lidar no começo. Depois, como todo bom brasileiro, a gente se acostuma. Graças ao Japão, eu aprendi inglês e italiano. Engraçado isso, mas é verdade. O contato com outros estrangeiros te faz falar em línguas nunca dantes praticadas. O japonês é outra história. No ano passado, fiz meu teste de proficiência em japonês e passei. Esse ano, farei mais um teste para outro nível.

Trabalhar no Japão me fez conhecer nada menos que 16 países. Sempre quis mesmo era viajar, conhecer outros lugares, outras culturas, olhar o que há pelo mundo afora. Aqui, o fato de você viver numa grande comunidade, faz você ter amigos em várias partes do globo. Nunca tive pudores em pedir abrigo aos amigos nas viagens, nem de mochilar, nem de dormir em albergue da juventude.

A minha última viagem foi ao Havaí. Tenho uma amiga lá que me hospedou por 10 dias.

Nunca tinha pensado em visitar o Havaí. Nunca tinha passado pela minha cabeça ir para lá. Inevitável lembrar do seriado “A Ilha da Fantasia” (quem tem mais de 30 sabe do que estou falando).


 Havaí faz parte do território americano desde 1900. A população por lá é multicultural. A maioria (quase 50% da população havaiana) é de origem asiática: japoneses, filipinos, chineses e coreanos fazem parte do cenário havaiano. Apenas 8% da população é nativa havaiana ou polinésia. O Havaí pode ser considerado um ótimo lugar para se viver. Clima sempre agradável (apesar da chuva praticamente diária no inverno); pessoas que vivem no espírito “hang loose” todo o tempo. O “espírito de aloha” (que significa “oi” e “compartilhar, com alegria, da energia da vida) é contagiante, e faz realmente parecer que você está numa grande colônia de férias. Conheci apenas uma ilha do Havaí: Oahu, onde fica a capital, Honolulu.

Honolulu é a cidade de Obama (tem até tour pela escola onde estudou, a casa da avó, onde ele cresceu e tal.) É em Honolulu a famosa Waikiki, a praia dos ricos e point de famosos. Honolulu tem pouco mais de 350 mil habitantes. Cidade limpa, organizada. Sistema de transporte eficiente e preço razoável. “The bus”, “ the boat”; “the taxi” são os nomes das companhias de transporte de ônibus, barco e táxi.

Os japoneses adoram ir ao Havaí. Tanto na ida quanto na volta, eu era a única estrangeira no vôo. O perfil dos japoneses que viajam ao Havaí é mais ou menos esse: casais que se casam por lá e tiram as famosas fotos “arrasta vestidão branco na areia da praia”; casais em lua-de-mel; aposentados (que agora PODEM tirar férias); grupo de estudantes colegiais em viagens de formatura, etc. São tantos japoneses turistas por lá que é comum ver nas lojas, coisas escritas em japonês. 

Se você me perguntar se vale a pena visitar o Havaí, direi que depende do que você gosta. Se gosta de agitação, talvez não seja o melhor lugar para visitar. Mas, para aquele que gosta de natureza, de praias de tirar o fôlego e de uma cor de te deixar boquiaberto, de aventuras radicais (uhuuuuu), é o lugar certo.

Visitei alguns museus por lá. Honolulu Academy of Arts; Bishop Museum. Também fui à Pearl Harbor, que, na minha opinião, o tal memorial e o filminho estilo bombardeio de informações, deixou muito a desejar. O memorial Arizona é um lugar bastante requisitado pelos turistas. É gratuito e no final você vai de barco até o local onde o que restou do “Arizona” jaz. Em frente ao Memorial está o Missouri, aquele navio onde foi assinada a rendição japonesa e tirada a famosa foto de Hirohito e MacArthur. 


Um dos lugares mais fantásticos do Havaí é  Hanauma Bay. Antes de você entrar na reserva, você assiste um filminho ensinando ao turista a preservar o local. Também pudera: é como se você entrasse num aquário para nadar, cheio de várias espécies marinhas e imensos recifes de coral. Foi ali que eu usei o snorkel pela primeira vez.

A baía de Hanauma foi formada a partir da erupção de um vulcão. Aliás, vulcão é o que não falta no Havaí. A ilha “Big Island” é onde tem os grandes vulcões ativos.

O Havaí também me surpreendeu pela quantidade e diversidade de pássaros. Aliás, lá é a morada do nosso Cardeal (chamado de “Brazilian Cardinal”), um simpático pássaro de cabeça vermelha, que sempre anda com seu (sua) companheiro (a).

E lá não tem cobra! Sabe porque? Por que o tal do mongoose é um pequeno grande predador de cobras. Carinha inofensiva tem o bichinho que parece um esquilo, mas ele em ação é outra coisa (veja o que o bichinho é capaz de fazer aqui )

Também é no Havaí que acontece as filmagens do Lost. (E eles pensam que eles estão perdidos...) Fiz a trilha de Manoa Valley (pertinho da Universidade do Havaí, onde fiquei), onde é uma das locações de Lost. Realmente, o Havaí é um ótimo lugar para se perder de tudo e de todos...

Sessão de fotos:

O filho pródigo


Moda Havaiana (pensei em comprar uma dessas para a ala masculina da família, mas mudei de idéia)

O famoso colar de flores. Aqui, na versão de plástico, que já disse uma vez os Titãs,  "as flores de plástico não morrem". 99 centavos de dólar. 


Chamei o James para me buscar.
Mas não sei porque, me deu uma vontade de andar de ônibus. O James pode até ser "o" cara, mas o "The bus" é "o" ônibus. Tem até ar condicionado!

Espírito hang loose... 1
Hang loose 2,

Hang loose 3...
Hang loose 4...(Com o Diamond Head ao fundo)
Hang loose 5... (detalhe o walkman nos ouvidos)
Hang loose 536... casalzinho na areia
Lugar perfeito para aquela atividade física que você sempre pensa em fazer e nunca tem coragem...
ói qui, Waikiki... ...onde quem é a grande estrela é ele, Duke, o maior (sem trocadilhos) surfista havaiano.

Clima romântico - sessão arrasta vestidão.
Outro casal...
E outro... (detalhe para a prancha, o resgate).
E o único casal não japonês da sessão, na lindíssima "Sand Beach" (cuja cor da água é assim mesmo, sem retoques).

Uma versão da história.
O famoso Missouri,
Aqui jaz o Arizona.
 
O memorial, Uma olhadinha por dentro...
E claro, os nomes dos que morreram no bombardeio.

Gente, olha só que presente a cidade de HIROSHIMA deu a Honolulu...
 No museu da Imigração Japonesa no Havaí, uma parte interessante conta a situação dos japoneses por lá durante a guerra. Muitos deles, nipo-americanos, que se inscreveram para lutar contra os japoneses, tinham sua lealdade questionada.
Mural no campus da Universidade do Hawaii, em Manoa.

A fauna,
O mongoose, que anda livremente por todos os lugares.
A lenda da galinha sem cabeça,
O amor é lindo...outras espécies
 A visitante diária (vinha pedir pão no quintal)
Inspiração para Hitchcock,

Come que te faz bem!
O casal brasileiro não é uma fofura?

Olha só o que eu consigo fazer!

Entrada de Hanauma Bay
Regras para os banhistas:
- não pode beber álcool;
- não pode jogar bola
- não pode acampar
- não pode jogar disco
- não pode trazer seu Totó para fazer popô na praia.
- não pode jogar lixo.

Hanauma é linda!
Linda não, belíssima!
Belíssima não, fantástica!
Todos esses adjetivos e mais um: estonteante!

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categorie: viajando pelo havaí
sabato, 21 febbraio 2009

Ando meio com a cabeça cheia. Ontem eu li nada menos do que 3 livros. Parei a meia-noite para descansar, mas as imagens e as palavras lidas ficam martelando na minha cabeça. Já sabia que essa coisa de doutorado ia me fazer ficar louca. E meu tema também... sempre escolhi coisas pesadas para estudar. A minha pesquisa é sobre o período pós 2a guerra, durante o período da ocupação dos aliados no Japão – lê-se americana - e pesquiso três fotógrafos japoneses. Mas primeiro ando vendo um material sobre Hiroshima e Nagasaki, fotografias do ground zero, visões dos japoneses e visões americanas sobre o mesmo tema. Muitas dessas fotos só vieram a público muito tempo depois. Logo depois da guerra, muita coisa foi destruída, em virtude da censura instalada no país durante os 7 anos em que os americanos estiveram presentes por toda a ilha japonesa para “democratizar” o Japão (os americanos chamavam de “uma censura necessária” em prol de uma ocupação pacífica). De uma coisa eu tenho certeza: quem vive hoje aqui não consegue visualizar o inferno ( literalmente falando) que isso um dia foi. Kobe, Tokyo, Osaka, Hiroshima, Nagasaki...no total, 64 destruídas com bombas incendiárias, sendo que as duas últimas com as famigeradas atômicas.
Fim de março, planejo uma viagem a Nagasaki.
Daqui a 10 dias, embarco para ver o outro lado da moeda: a visão americana dos fatos: Pearl Harbor, no Hawaii.  

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categorie: essa vida louca no japao
domenica, 08 febbraio 2009

Um presente

Olha só que legal. A Kanu, uma amiga portuguesa, me deu de presente esse selinho, o blog de ouro. Um super incentivo para as mulheres botarem pra quebrar no mundo virtual, não acham? 

Agora, cada escolhida tem que escolher mais seis blogs para dar o selo. Algumas regras:

- tem que ser mulher (desculpem amigos blogueiros)

- tem que exibir a imagem do selo

- escolher seis mulheres diferentes para entregar o selinho

- deixar uma mensagem no blog da premiada, contando sobre o prêmio.

Eu escolhi essas blogueiras. 

- O lindo dias et noites da Clara, lá na França.

- O da Jamine, lá na Bélgica, sensibilidade pura de um brasileira por aquelas bandas...

- O da Karina, que também narra, como eu, as suas aventuras no Japão.

- Da minha amiga e vizinha Johanna, que apesar de escrever tudo na sua língua,  o sueco, me encanta com a sua disposição em escrever tanto sobre o Japão.  Olhar as fotos é bem legal:-)

- A ótima Lola, que tem um humor delicioso e uma visão super crítica da sétima arte. Gosto muito de passar por lá e ficar horas...

- E o cheio de humor (adoro gente bem-humorada) - homem é tudo palhaço. Um blog de quatro. Literalmente.

Parabéns a todas essas super-mulheres!

 

 

 


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categorie: generalidades pluralidades
sabato, 07 febbraio 2009

Sim, isso aqui também é Japão – Parte 1 – Sul de Osaka: Kamagasaki
 
Um dia desses fui convidada pelo departamento de inglês para participar de uma entrevista onde eles queriam ouvir vários estrangeiros cuja língua nativa não fosse o inglês. O projeto é para uso do departamento de inglês, verificando as várias formas de pronúncia e estilo no mundo da língua number one. Um professor japonês me entrevistou e fez algumas perguntas óbvias que se faz a qualquer estrangeiro: “diga “oi” em sua língua”, começou o sério jovem professor a minha frente. Eu detesto quando me perguntam qual é a minha impressão sobre o Japão e você ter que dar conta de responder em 5 minutos. Bem, já que a idéia era apenas me ouvir falando inglês, tratei de falar de amenidades contando sobre uma coisa interessante que notei assim que me mudei para cá. O Japão como o país da tecnologia e muitos japoneses alheios a tudo isso. Não vai me dizer que você também não pensa que todo japonês é craque no manejo em maquininhas eletrônicas? Pois é: então imaginem a minha surpresa quando eu percebi que existem japoneses que não sabem gravar um CD, não sabem lidar com DVD e ainda usam vídeo cassete e fita cassete para ouvir música. Locadora de vídeo aqui existe sim, e com vídeos de montão. Num workshop de fotografia com alunos, ouvi aluno reclamando que não ia conseguir fazer porque não tinha máquina fotográfica (e perguntaram se podiam usar as maquininhas descartáveis ou as câmeras dos celulares). Tá bom...pode até ser que eu esteja generalizando, mas existe sim pessoas alheias à tecnologia. Isso num meio como a universidade é pra se estranhar. E não são poucas essas pessoas.
Agora te pergunto. Será que no Japão tem, sei lá, uma favela? Se a sua resposta foi “claro que não”, está na hora de você rever os seus conceitos.
Estamos falando de um Japão não muito visto pelo mundo afora. A maior favela do Japão (como é chamada) existe sim e ela está aqui, em Osaka. Tive até um aluno que confessou ter ido morar lá quando ele largou a faculdade, ficou sem emprego e sem rumo na vida. Foi para lá morar com um amigo e desistiu depois do primeiro dia.
“Kamagasaki” abriga cerca de 30 mil moradores que na maioria são trabalhadores sem renda fixa ou emprego fixo. Geralmente são homens e sem família (ou abandonados mesmo pela família) . Em uma época tinha tantas mulheres quanto homens, mas agora não. Nos anos 1945-50, a maioria das pessoas que viviam lá eram sobreviventes da guerra que moravam nos barracos de madeira que construíam por lá. A região naquela época era um verdadeiro labirinto de barracos (destruídos antes da chegada dos anos 60 com a intenção de criar largas avenidas). 
Hoje os barracos de madeira dividem espaço com abrigos e também com barracas montadas nas ruas.
É em Kamagasaki que funciona as agências de recrutamento de trabalhadores para serviços diários – os “day laborers”. São recrutados para fazer qualquer tipo de serviço: construção civil; transporte de mercadorias, trabalhar nas docas, etc. A região entrou numa recessão imensa com a crise econômica japonesa nos anos 90, e aumento do desemprego fez com que mais pessoas se dirigissem para Kamagasaki, inclusive pessoas de todas as partes do Japão, que buscavam nesses “bicos” diários uma chance de sobrevivência. Claro que esse aumento populacional na região fez aumentar o número de barracos e moradores de rua. Entidades religiosas e filantrópicas chegavam a distribuir cerca de 800 refeições nas noites.
Kamagasaki também é uma região conhecida pelas manifestações e confrontos com a polícia que costuma não ser lá muito amigável com as pessoas daquela região. O que os moradores de lá querem é serem tratados com respeito, como qualquer ser humano.
 
Ps: nunca tirei foto de Kamagasaki, nunca me senti a vontade para tal. Para ver algumas imagens, consulte os sites aqui e aqui.
 
 
Parte 2 – Sul de Osaka: Tobita – o distrito das “casas de tolerância”. Os bordéis japoneses.
Continua...

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categorie: essa vida louca no japao
giovedì, 05 febbraio 2009

Boi ou rato?
Ando em falta com a escrita. Confesso sim.
Por aqui, ano novo, vida nada nova. Apenas um tal de fazer anos que me deixou esse ano um pouco aflita...sabe-se lá porquê. Deve ser porque eu descobri uma coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha. Já explico.
Os japoneses não acreditam em nada. Ou pelo menos é o que dizem. Não acreditam no zodíaco. Essa coisa de ser regido pelas estrelas não está com nada. Os japoneses acreditam sim no tipo de sangue que determina a personalidade da pessoa e no horóscopo dos 12 animais - o chinês.  
Eu sempre soube que no horóscopo chinês eu era rato, e até que me identifico bastante com o bichinho:

"As pessoas de Rato geralmente tem muitos amigos, isso por que São muito fáceis de conviver e tem esse encanto inerente ao signo. São francos e honestos, mas de uma forma suave para não chocar quem os cerca. Gosta de festa e reuniões movimentadas. Trata os amigos e parente de uma forma especial e não se importa em dividir com eles o fruto de esforço."

Não é lindo o rato? 

Mas esse ano, o ano do boi, uma japonesa veio teimar comigo que eu era boi e não rato. Isso porquê no Japão o animal vira assim que muda o ano. Mas na China não. O ano chinês geralmente muda em fevereiro e somente aí o novo animal estabelece o seu reinado. E por causa disso, eu sou considerada parte do animal do ano anterior, já que sou de janeiro...deu pra entender?   

Ela até trouxe de presente para mim um lindo touro de bronze, lindo mesmo. Ai, mas sabe que não adianta, mas não me identifico com o boi? Ele pode ser forte, ser uma mão na roda, mas a minha alma ainda é do rato.

Crises superficiais à parte,  a vida por aqui é essa mesma...mesmice de inverno, de conta alta devido ao uso abusivo do aquecedor, de correr atrás de visto de turista para a minha viagem de férias, de renovar visto no Japão enquanto tanta gente está indo embora. Pois é. A situação por aqui não anda nada fácil. Muita gente indo embora depois de anos vivendo por aqui. Realidade de uma crise que afetou em cheio o lado mais fraco.  
Esse é meu último ano de Japão. E no fundo a palavra “último” me assusta um pouco. Nunca pensei em ficar tanto tempo por aqui. E nunca também é uma palavra assustadora.
Semana que vem vou dar uma escapadinha da rotina e coloco mais novidades fotográficas. Destino: Fukui.

sabato, 27 dicembre 2008

E no norte do Japão...
 
Este ano, coisa diferente. Que tal sentir uma atmosfera natalina mais próxima da realidade? Traduzindo: neve e muito frio.
Programa desse ano: ir para o norte do Japão, em Hokkaido, em Rusutsu, numa estação de esqui. A minha idéia era exatamente essa: experimentar esquiar.
Quando contei para amigos e tal que ia me aventurar no tal esporte de inverno, alguns me olharam desconfiados, outros me benzeram e disseram que iam torcer para que eu voltasse sã e salva. Poxa, será que eu inspiro tanta falta de jeito assim? Ah, o fato de você ser do país do futebol e saberem que você nunca se aventurou a esquiar e já não está mais assim, digamos, na flor da idade, fizeram com que as reações fossem assim, de puro otimismo.
Mas atenção: contrariando a todos os prognósticos, voltei sã e salva após a experiência. Confesso que estava um pouquinho nervosa por eu ser a única debutante da turma e optei por pagar uma aula para iniciantes. No Japão você assina um enorme termo de compromisso dizendo estar ciente dos riscos do esqui e que qualquer coisa que possa vir a acontecer com você é somente sua responsabilidade. Lá fui então com uma simpática japonesinha para o campo de batalha. Como eu era a única iniciante, tive a sorte de ter uma aula particular. Mas deixa eu falar um pouco sobre o equipamento: Logo de inicio, achei medonho ter que usar aquelas pesadas botonas horrorosas (2,5 quilos) , que te dão uma sensação estranhíssima de pé engessado e de bota ortopédica – (ai, confesso que quase desisti só de ter sentido o tamanho peso nos pés). Andar com aquelas botas te faz sentir um verdadeiro robocop. Se alguém já avistou a lendária pata-choca, podem crer: ela também atende pelo nome de Fernanda com botonas de esqui.
Outro pesadelo foi carregar os dois esquis. Um par pesa por volta de sete quilos. E carregar as botas e o parzinho no muque me fez doer músculos que eu nem lembrava que existiam.
Pois fim: depois de dar umas deslizadas no plano e já estar me achando craque do deslizamento para níveis pré-iniciantes, lá vem aquela temida sugestão da minha teacher: “vamos pegar a gôndola e descer a montanha.” Como assim, descer a montanha? Não ia ser só ficar aqui no reto? “Não, o mais legal é descer a montanha”. Pegar a gôndola totalmente aberta com os pés enfiados no esqui pra você já deslizar assim que saltar do banquinho me fez suar em bicas: quando eu comecei a realizar já era tarde e o que eu temia aconteceu: o tombo número 1: assim que saí da gôndola, chão. O mais difícil foi me levantarem porque meeeeuuuuu, não dá pra você se levantar com tooooodo aquele peso e com os esquis que mais parecem pés de pato gigantes.
Olha, esse foi o primeiro de três singelos tombos. (O snowboard, acima, dizem que é mais difícil)
Eu já tinha aprendido a parar (a coisa mais importante do esqui). Abra bem as pernas como se fosse fazer um triângulo gigante (que também pode ser visualizado como pedaço de bolo ou pedaço de pizza) e pare. Mas tem que fazer o triângulo certinho, porque senão você pode cair. Eu ficava tão concentrada em fazer a pizza certinha que ficava só olhando para o chão. A minha jovem instrutora dava risada de ver tamanha tensão no meu corpo. Acho que levei uma hora pra descer a montanha, e quando chegamos finalmente no fim, uma criança provavelmente diria “mais” com aquele sorrisinho maroto de quem gostou da brincadeira. A minha instrutora até me perguntou se eu queria subir mais uma vez na gôndola. Minha resposta: sim, mas vamos deixar para o próximo inverno.
Pois é minha gente. Eu gosto da neve, gosto de andar na neve, gosto de fotografar a neve. Mas é só. Esquiar, valeu só pela experiência. E pelas milhares de calorias que certamente foram gastas.
 (grupo de estudantes que fazem excursões nas férias de inverno usam números na roupa)
(A alegria mesmo é da criançada)
(assim também é legal)
Fomos também a Sapporo, a capital de Hokkaido. Um aluno meu que é de lá tinha me falado para comer o lamen de Sapporo. Lamen nada mais é do que miojo, minha gente. Um miojão incrementado com lombo de porco, broto de feijão, broto de bambu e missô. É gostoso. Japoneses gostam de indicar pratos de comida e de dar comida de presente. Outro prato típico de lá é o gigantesco caranguejo, de preço proporcional ao seu tamanho. É também uma delícia (apesar do trabalhão que dá em comer isso). A cidade estava literalmente embaixo de neve. Nunca tinha visto tanta neve assim. A nevasca que atingiu Sapporo fez cancelar vários vôos e atrasar o nosso. Do alto do prédio, uma das visões mais impressionantes que tive foi ver a imensa massa branca se aproximando, engolindo a cidade.   
Fiquei imaginando a sensação das pessoas que moram em um lugar onde por quase 5 meses só vêem essa paisagem. Dá uma certa opressão, não dá?

postato da: Fernandabrjp alle ore 23:45 | link | commenti (8)
categorie: sapporo
giovedì, 04 dicembre 2008

Kagoshima - um vulcão, um nabo gigante  e muita história de kamikaze
 
Ainda não conhecia a parte sul do Japão, que todo mundo falava ser diferente. A ilha Kyushu é a mais quente, com clima sub-tropical. Kagoshima também é famosa pelo seu cartão postal: o vulcão ainda ativo (última atividade foi em março desse ano), o Sakurajima.
(lava vulcânica na paisagem)
(pertinho de Sakurajima)
(natureza local)
(moradores locais)
Por entre as luzes, o mar.
Fazia tempo que eu tinha vontade de conhecer o lugar que tem várias termas, o vulcão e uma praia, onde a atração é você ser enterrado em areia vulcânica. Dizem que faz super bem para a saúde.
(fotografia do site da prefeitura de Kagoshima)
Não fui enterrada na areia, mas por outro lado, fomos para Kirishima, logo depois de um dia em Sakurajima.
Kirishima, uma cidadezinha no meio das montanhas, faz parte da cultura popular japonesa. Segundo uma lenda, foi em Kirishima que aconteceu a descida dos deuses que criaram o Japão. É como se o lugar fosse “o marco inicial”.
(Muitos degraus para chegar nos céus)
pausa para a foto
O templo de Kirishima
(em preto e branco)
Kagoshima é famoso pelo kurobuta – o porco preto, uma iguaria para os amantes da carne suína, preparado como “shabu-shabu”, onde você joga as fatias de porco numa panela com água fervente, deixa a marvada cozinhando por menos de um minuto, e mergulha num molhinho – ou shoyu ou um outro à base de gergelim.
(foto de masak-masak)
Os imensos nabos, a batata doce super doce e as menores mexericas do mundo também são típicos de lá. Achei um máximo ir na barraquinha e comprar uma imensa batata doce cozida e sair comendo na rua.
O nabo gigantesco não comprei não. Também, nem gosto tanto. As mexericas não comi. Comprei balinhas.
 (rua de casas de samurais, em Chiran)
Árvores com estilo (como os próprios samurais)
Mas, a viagem também tinha um outro propósito além de assistir o espetáculo do outono, ver a fumacinha constante em cima do Sakurajima, ou comer carne de porco cozida na água. Também queria visitar um museu. O museu do kamikaze.
Sim, os kamikazes tem um museu só para eles. Kamikaze no Japão é sinônimo de herói. E o museu pode te levar às lágrimas (se você entender um pouco de japonês e se levar pela narração do audio-guide).
O museu fica em Chiran, cidade vizinha de Kagoshima, era uma base aérea. E funcionava a toda na época da guerra.
Kamikaze é a junção de dois kanjis: kami – que significa divindade e kaze – vento. Os kamikazes eram ventos divinos. Mas, na verdade, no Japão eles são mais conhecidos por tokkotai, que significa “força especial de ataque”.
As unidades especiais com jovens voluntários, que estavam dispostos a morrerem pela pátrias foram criadas no final da guerra. O primeiro ataque dessas “bombas humanas” ocorreu apenas em outubro de 1944.
Em Chiran, jovens já militares geralmente se voluntariavam para fazer o trabalho de bombardear algum porta-avião aliado em Okinawa. Segundo estatísticas, foram mais de mil mortos nessas operações. Eram todos na sua maioria, muito jovens, entre 17 e 23 anos. No museu, com as paredes recheadas com as fotos desses jovens, você pode ler num computador cartas, mensagens, poemas deixados um dia antes da batalha definitiva, do encontro com a morte.
Li vários, alguns de fazer encher os olhos de água.
Mas, na maioria das mensagens, medo não se via. Apenas o orgulho de estar morrendo por uma “causa”.
Trechos:’
“Vai ser uma honra morrer no fundo do oceano” (24 anos, de Okinawa)
“Eu vou deixar meu nome no céu” (jovem de 22 anos)
“Eu sou a flor da cerejeira e quando eu morrer vou deixar um perfume no céu para a minha mãe.”
 
Muitos dos depoimentos que eu li vinham com essa referência à flor símbolo do Japão – as sakuras, e à poderosa figura materna. Afinal, esses jovens não passavam de crianças.
 
Alguns deixavam mensagens mais diretas:
“Declaro não ter nenhum problema com mulheres ou dinheiro”. E ainda dava um recado para o pai e a mãe: “usem o dinheiro que vão receber do governo para reconstruir a nossa casa. Esse é o meu desejo do fundo do meu coração.”
 
Um outro rapaz deixou uma mensagem para a sua madrasta.
“Nunca te chamei de mãe. E agora te chamo “Mãe! Mãe! Mãe. Obrigado por tudo!”
Entre outras mensagens, termina: "use o dinheiro para comprar os cigarros que você tanto gosta."
Pode não ser a vida mais simples assim?